domingo, 4 de maio de 2014

TERMINAL GUADALUPE (COMPAIXÃO)


              Novamente não teria bolo. A vida é o presente.
             A cadela soltou o ser estranho ali mesmo, na esquina da João Negrão com a Pedro Ivo. Cheirou-o. Lambeu-o. Caminhou um pouco e se deitou.
            O terminal estava lotado. Hora de ir para o trabalho. O povo correu para perto do filhote. Carros desviavam. Palpitavam solidários com a cadela.
             –    É meu!
             –    Não, eu vi primeiro!
             –    É tão lindinho!
            A cadela pariu mais três. Cheirou-os. Lambeu-os. Saiu caminhando.
            Logo houve confusão. Pais e mães demais para quatro filhos. Lares de sobra.

         No orfanato São Francisco Xavier, Carlinhos comia pão com margarina e tomava café com leite. Completava dez anos de vida e que fora deixado em um latão na Tibagi.

Texto do professor Sidclei Nagasawa.

7 comentários:

  1. Ótimo texto, faz uma comparação entre a vida de um cachorro e um menino

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  2. ótima comparação do abandono de um humano com o de um cachorro...

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  3. Amei a comparação , pois mostrou a verdadeira preocupação do ser humano, que em alguns minutos brigam por alguns filhotes, mas ninguém deu valor ao menino que está no orfanato faz 10 anos ..
    Ps: amo cachorros, mas acho que um ser humano que é igual a você, deveria ter mais preocupação que um animal.

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  4. Interessante o texto. Mostra a realidade na qual algumas pessoas tem dado mais atenção aos animais, em especial cachorros. Enquanto crianças padecem em orfanatos a espera de um pai e uma mãe. Tratar bem os animais é importante, porém é mais necessário ainda que o ser humano receba a devida importância!

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  5. Interessante o texto. Mostra a realidade na qual algumas pessoas tem dado mais atenção aos animais, em especial cachorros. Enquanto crianças padecem em orfanatos a espera de um pai e uma mãe. Tratar bem os animais é importante, porém é mais necessário ainda que o ser humano receba a devida importância!

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