quarta-feira, 7 de maio de 2014

TEXTO DE JULIA FADANELLI

Era dona de uma vidinha boba e tosca, supérflua aos olhos da sociedade.
Conhecia pessoas e lugares, via coisas. Porém, nada disso importava agora.
Onde ele estava? Aquele rosto inconfundível, com aquelas feições intensas, era impossível de ser encontrado agora.
Ela dele precisava, como peixes precisam de água.
Mas ela não o encontrava em lugar nenhum.
Seu rosto não estava lá, seu corpo escultural, seu calor.
Ela se sentia deslocada, fora da Terra, sem ar.
Estava sem seu coração. Como viveria? Sem sua fonte de vida?
Então, em uma tentativa de encontrá-lo, foi até a praia mais próxima. Tirou os chinelos e o vestido, deixou-os na areia.
Caminhou devagar até o mar. Mergulhou.
Ficou um bom tempo embaixo d'água. Voltou a superfície completamente sem ar.
Deitou-se na areia, fechou os olhos por alguns minutos.
Abriu-os, olhou para as estrelas. Virou-se.
Ele estava lá, do seu lado, sorrindo.
Disse a ele ter pensado que não viria.
"Eu sempre venho querida, você sabe que sim."
Chegou mais perto dele, abraçou-o.
Ficaram um bom tempo olhando as estrelas, até que ele interrompesse.
"Tenho que ir querida, voltar para minha casa, meu lugar. Você sabe", disse apontando para uma estrela.
Ela observou-o com lágrimas nos olhos.
Aproximaram-se. Ele a tomou nos braços e a beijou, um beijo demorado, longo.
"Quando precisar de mim, eu estarei aqui, O.k.?"
Ela hesitou, mas acenou positivamente com a cabeça.
Então ele se foi.
Ela caiu na areia, fechou os olhos, quase chorando.
Virou para o lado, encolheu as pernas.
"O.k."

Texto de Julia Fadanelli - aluna do 8º B

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