terça-feira, 19 de agosto de 2014

POEMA DE ANA CAROLINA

A minha imagem foi apagada 
Todos me esqueceram 
Todos que eu amava desapareceram  
As flores  apodrecendo 
As velas se apagando 

Havia vermes onde eu estava 
Quase sem esperanças, minha mãe apareceu 
Chorava muito enquanto acendia vela por vela 
Deixou uma carta e foi embora, dizia:
"Filha descanse em paz, nós te amamos e nunca te esqueceremos"

Então eu percebi que era desse amor que eu precisava 
E agora eu estou pronta para seguir em frente.

Enviado pela aluna Ana Carolina do 8º B.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

terça-feira, 12 de agosto de 2014

POEMA DE ANA CAROLINA

Me perdi em um mundo onde só há escuridão
Cheio de monstros, meus pesadelos
Meus sonhos eram destruídos pouco a pouco
Cada vez mais eu ia me aprofundando 

Eu me perdi 
Não sabia pra onde correr
Pra onde fugir
Só sabia 
Que não poderia mais voltar atrás

Poema enviado pela aluna Ana Carolina do 8º B.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

DIÁRIO DO BRASIL - JÚLIA FADANELLI

Segunda-Feira


Primeiro dia de aula. Eu era como todos: tinha dinheiro, roupas limpas, e talvez o mais importante: eu era branco.
Todos me respeitaram quando eu entrei na escola. Me trataram como um rei. Me valorizaram, por todas as riquezas que eu tinha. Não apenas as materiais, mas as culturais também.
Nesse dia, eu fui o que mais se saiu bem. Sabia responder a todas as perguntas que faziam, e ainda dava uma complementação bônus.
Depois de a aula acabar, voltei de carro para casa, um último modelo. Minha casa? Uma mansão. 
Ao entrarmos, nós já podíamos sentir o cheiro da comida. Um banquete farto. Comíamos até dizer chega.
Depois do almoço, fui para meu quarto. Uma cama de rei. Tinha tudo o que eu queria: livros, filmes, brinquedos, roupas...
O tempo passava rápido em minha casa. Tínhamos sempre algo para fazer.
Logo era a hora do jantar. A mesma fartura de sempre. Um banquete, repleto de comidas de alta classe.
Quando terminamos de comer, fomos todos para a sala de debates, para conversar a respeito da bolsa de valores, política e coisas democráticas.
Quando acabamos o debate, meus pais me colocaram na cama e foram se deitar também.
Agora estou deitado, terminando de escrever meu primeiro dia. E já está tarde, então vou dormir, pois amanhã cedo, tenho aula.

Brasil



Terça-Feira


Não tinha roupas limpas para vestir hoje.
Quando cheguei na escola, todos me olharam torto. Me desprezaram.
Eu podia escutar alguns murmurando coisas como “Que garoto desprezível!”; “Que garoto mais mal vestido, garanto que não tem cultura nenhuma!”.
Fiquei muito chateado quando ouvi isso dos meus colegas. Um dia me tratam muito bem, no outro me tratam feito lixo. Quem seria capaz de fazer isso?
Como eu estava muito abalado, mal consegui prestar atenção nas aulas. Não consegui responder às perguntas que os professores faziam.
Até eles me desprezavam.
Quando cheguei em casa, não tinha fome. Vim direto para o meu quarto.
Deitei na cama para tentar descansar e acabei pegando no sono.
Agora são três da manhã e estou sem sono. Estou escrevendo neste diário para ver se consigo desabafar um pouco.
Vou tentar dormir agora. Espero que a manhã de hoje não seja tão ruim assim.

Brasil



Quarta-Feira


Não fui para a escola hoje porque não consegui dormir direito. Tive de ajudar as empregadas na cozinha e na limpeza da casa.
Na hora do almoço, comi junto com elas. Um pratinho pequeno com arroz, feijão e um bife duro.
Durante a tarde, fiquei fazendo meus deveres da escola. Tive de pedir auxílio na maioria das vezes, pois não me lembrava como se faziam as contas de matemática ou como se escreviam algumas palavras.
À noite, durante o jantar, também tive de comer com as empregadas. Arroz, feijão e um bife duro.
Fui até meu quarto para me banhar, mas havia acabado a água. Também notei que minhas coisas não estavam mais lá.
Olhei para minha pele: estava marrom de sujeira.
Mas o mais importante não era isso. Onde eu dormiria?
Agora estou sentado no chão frio, escorado na parede, onde costumava estar minha cama.
O que eu faço agora?

Brasil



Quinta-Feira


As empregadas não faziam mais seu serviço. Meus pais simplesmente sumiram e o homem que cuidava de mim passou a me agredir.
Não tomei café, não almocei.
Durante a tarde, dois homens com aparência de traficantes vieram até minha casa.
O senhor que cuidava de mim pôs uma fita em minha boca e me deu uma pancada no rosto, e me lembro de ter caído no chão.
Devo ter desmaiado, pois não me lembro de nada depois disso.
Então acordei aqui, nesta favela, com várias pessoas (aparentemente muito pobres) me olhando, me cercando.
Não sabia o que elas queriam, então apenas me levantei e saí andando pela escuridão da noite.
Em pouco tempo, me deparei com uma floresta, então resolvi parar por ali e “acampar”.
O que será de mim agora?

Brasil


Sexta-Feira

Acordei com a luz do sol batendo no meu rosto. De acordo com o meu pouco conhecimento em relação à referência a partir da luz solar, deviam ser quase três da tarde.
Olhei em volta. Por sorte, havia macieiras e outras árvores frutíferas ali.
Procurei pegar o máximo de comida que podia carregar.
Resolvi caminhar mais um pouco, em volta da floresta, para ver se encontrava um bom lugar para ficar.
Havia uma espécie de caverna ali perto. Parecia ser um bom lugar, pelo menos para uma noite.
Deixei a comida lá dentro e fui buscar feno, para tentar improvisar uma cama e para ter algo para me cobrir.
Quando voltei à caverna, dei um jeito de arrumar o meu cantinho, da maneira mais confortável possível.
Agora, estou deitado nesse chão duro, com uma fogueira feita com o resto do feno e alguns galhos quebrados que encontrei durante a tarde.
Acho que meu fim se aproxima...

Brasil


Sábado

Acordei com um homem gritando perto de mim. Não havia só ele. Tinha algumas mulheres e alguns garotos junto.
Todos me chamavam de “Wellington”.
Eu pensava que todos haviam me confundido com algum outro garoto, mas mesmo depois de eu dizer meu verdadeiro nome, eles continuavam me chamando por aquele nome que eu nunca ouvira antes.
Alguns deles me bateram e me obrigaram a realizar trabalhos pesados.
Eu ainda não havia comido nem bebido nada. Nenhuma fruta, nenhum docinho. Nada.
Eles me levaram de volta à favela. Acho que haviam me encontrado ali naquela caverna por causa da fogueira que eu havia feito para me esquentar.
Já era tarde quando recebi meu prato de comida. Arroz, feijão, carne, tomates, alface e ovos cozidos, acompanhados por um copo de leite morno.
Eu até estranhei no começo, mas a moça que veio me servir me assegurou de que era comida boa.
Agora estou aqui, deitado no chão de terra batida de uma casinha pobre, pensando como deverá ser o meu dia amanhã.
Será que vou voltar a ver meus pais? Será que vou voltar a ter uma boa vida?

Wellington


Domingo

Acordei com o barulho de tiros. Havia pelo menos sete mulheres junto comigo, todas na minha frente.
Estávamos trancados em um quarto, nos fundos da casa.
Pudemos ouvir o barulho de alguém chutando a porta.
Haviam cinco homens, e um deles, o que ia na frente, sempre repetia “Procurem o garoto!”.
Para que eles me queriam?
Após alguns minutos eu soube: era para me matar.
Me pegaram pelos braços e me arrastaram até um lugar mais isolado. Me deram três tiros: um na coxa direita, um do lado esquerdo da barriga e um no ombro esquerdo.
Acho que já se passaram cerca de trinta minutos. Estou sangrando até agora.
A cultura morre, a inocência, a riqueza pessoal.
O Brasil verdadeiro se vai...

Wellington




Texto enviado pela aluna Júla Fadanelli, do 8º B.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

TEXTO DA ALUNA JÚLIA FADANELLI

Me encontro sozinha.
Tem uma floresta aqui.
Está muito escuro, não vejo nada.
Penso em correr, fugir. Mas, para onde?
Escuto barulhos, sons de animais.
Vejo coisas, vultos.
Só queria sair dali, voltar para casa.
Só queria reencontrá-lo, beijá-lo, abraçá-lo...
Mas eu não podia, estava presa naquele lugar.
Para sempre...

Texto enviado pela aluna Júlia Fadanelli, do 9º B.